9.14.2014

LEITURAS FLASH, OU ATÉ BREVE


A 1ª sessão das Leituras FLASH aconteceu no dia 5 de dezembro de 2011. A última no dia 4 de abril de 2014. Entre uma e outra, conto, no total, 15 sessões dedicadas a vári@s autor@s e decorridas em vários espaços da cidade do Porto. A ideia que esteve na base de todas elas foi simples: escolher um(a) autor(a), depois um lugar (público e acessível), preparar um guião, chamar @s amig@s, @s conhecid@s e @s colegas, e aparecer. 
Por sua vez, na base deste processo, que nada tinha de complicado, estiveram sempre o prazer de ler em voz alta e de partilhar, com quem quisesse participar, parte do trabalho do(a) autor(a) mencionad@. Nenhuma sessão se pareceu com as outras. Cada uma delas gerou reações, dúvidas, inquietações e perguntas diferentes daquelas que tinham acontecido há um mês atrás ou daquelas que viriam a acontecer depois. Nem tod@s @s intervenientes estudavam Literatura, às vezes nada que se assemelhasse, nem tod@s tinham por hábito ler, e ninguém -- acredito -- tinha a mesma idade. Isto pareceu-me e continua a parecer-me maravilhoso. 

Lado a lado, a própria dinâmica das sessões e o nome que resolvi dar-lhes, FLASH, muito tiveram de irónico. Se a correria dos dias -- que tende a acelerar cada vez mais -- nos impede de ler, especialmente na companhia d@s outr@s, aproximar (com todo o espírito crítico e humor que houver) o conceito "leituras" de "Flash" ensina-nos efetivamente que, caso 5/10/20 leitor@s tirem 1h das suas vidas apressadas para ler em conjunto, o período de leitura durará mais que 1h. @s participantes das Leituras FLASH eram, às vezes, bastante mais irónicos e claros do que eu: por exemplo, 5h não bastaram para ler Ovídio numa tarde em janeiro. 

Para além de Ovídio, lemos Manuel Bandeira, Adília Lopes, W. H. Auden, Fernando Assis Pacheco, Mário de Sá-Carneiro, Guillaume Apollinaire, Almada Negreiros, Manuel António Pina, Manoel de Barros, José Craveirinha, Sophia de Mello Breyner, J. W. Goethe, Yvette Centeno, Paulo Leminski e Marguerite Duras. Passamos pela Estação de comboios de São Bento, pela Rua Santa Catarina, pelos jardins, Anfiteatro exterior, Bar dos Estudantes, Bar dos Professores e Torre A da Faculdade de Letras da Universidade do Porto, pela Praça da Liberdade, pelos jardins do Palácio de Cristal, pela Rotunda da Boavista, pela Arcádia : Casa do Chocolate, pela Casinha Boutique Café, pela Casa Agrícola, pelo Jardim Botânico, pela Rota do Chá e pela Galeria de Paris. 

Se as circunstâncias mo permitissem, continuaria a fazer o mesmo: escolheria um nome, mais tarde um lugar no Porto, prepararia um guião e, no dia, à hora marcada, lá estaria pronta para ler convosco. Por motivos académicos, e por que estarei longe da cidade, o processo terá de parar indeterminadamente. Alegra-me, no entanto, saber que, feitas várias amizades ao longo destes últimos meses, as leituras coletivas, como o foram sempre as Leituras FLASH, dificilmente irão terminar.

De qualquer modo, acredito que agradecer-lhes, num qualquer dia ou em qualquer hora, é, apesar de pouco, necessário e justo. Muito obrigada pela companhia e por todas as coisas que me foram ensinando.

Um forte abraço e até breve,
Patrícia

4.05.2014

17ª SESSÃO : MARGUERITE DURAS (2)

Para ter acesso às fotografias da 17ª sessão das Leituras FLASH, acontecida no último dia 4 de abril, no bar dos Professores da Faculdade de Letras da Universidade do Porto e dedicada a Marguerite Duras, clique aqui. A sessão foi integrada no programa de Abril Duras no Porto, que vai até ao próximo dia 30 de abril e pode ser lido aqui.



3.13.2014

17ª SESSÃO : MARGUERITE DURAS




Conto 16 sessões e isto quer dizer que nos sentámos em muitos lugares para ler muitos autores/as. A próxima sessão será dedicada a Marguerite Duras e integrada em Abril Duras no Porto, uma série de eventos pluridisciplinares que assinalarão, durante o mês de abril, o centenário de Marguerite Duras na cidade do Porto.


- 5 de dezembro 2011
Estação de comboios São Bento : Manuel Bandeira
- 28 de dezembro 2011
Rua Santa Catarina : Adília Lopes
- 25 de janeiro 2012
Jardins da Faculdade de Letras (UP) : Ovídio
- 27 de fevereiro 2012
Praça da Liberdade : W. H. Auden
- 24 de março 2012
Jardins do Palácio de Cristal : Fernando Assis Pacheco
- 4 de maio 2012
Torre A - Faculdade de Letras (UP): Mário de Sá-Carneiro
- 7 de setembro 2012
Rotunda da Boavista : Guillaume Apollinaire
- 27 de setembro 2012
Rio Douro : Ruy Belo
- 1 de outubro 2012
Anfiteatro exterior FLUP : Almada Negreiros
- 7 de novembro 2012
Arcádia - Casa do Chocolate : Manuel António Pina
- 19 de dezembro 2012
Casinha Boutique Café : Manoel de Barros
- 18 fevereiro 2013
Casa Agrícola : José Craveirinha
- 6 novembro 2013
Jardim Botânico : Sophia
- 18 dezembro 2013
Rota do Chá : J. W. Goethe
- 13 fevereiro 2014
Bar FLUP : Yvette Centeno
- 4 abril 2014
Galerias de Paris : Paulo Leminski

16ª SESSÃO : PAULO LEMINSKI (2)

Para ter acesso às fotografias da 16ª sessão das Leituras FLASH, acontecida no último dia 4 de março, nas Galerias de Paris e dedicada a Paulo Leminski em parceria com Pedro Craveiro, clique aqui.


2.23.2014

16ª SESSÃO : PAULO LEMINSKI



Leituras FLASH
em parceria com Pedro Craveiro


No próximo dia 4 de março, terça-feira, juntamo-nos pelas 17:30 nas Galerias de Paris para ler Paulo Leminski. Tragam amigos e livros.

15ª SESSÃO : YVETTE CENTENO (2)

Para ter acesso às fotografias da 15ª sessão das Leituras FLASH, acontecida no último dia 13 de fevereiro, no bar dos estudantes da Faculdade de Letras da Universidade do Porto e dedicada a Yvette Centeno em parceria com Sérgio Costa Araújo, clique aqui.


2.03.2014

15ª SESSÃO : YVETTE CENTENO




Leituras FLASH
em parceria com Sérgio Costa Araújo


No próximo dia 13 de fevereiro, quinta-feira, juntamo-nos pelas 18:30 no Bar dos alunos da Faculdade de Letras da Universidade do Porto para ler Yvette Centeno. Tragam amigos e livros.

2.02.2014

14ª SESSÃO : GOETHE (2)

Para ter acesso às fotografias da 14ª sessão das Leituras FLASH, acontecida no último dia 18 de dezembro, na Rota do Chá e dedicada a Goethe em parceria com o projeto do Carlos Motaz, clique aqui.

14ª SESSÃO : GOETHE



Leituras FLASH
em parceria com


No próximo dia 18 de dezembro, quarta-feira, juntamo-nos pelas 17h no na Rota do Chá para ler Goethe. Tragam amigos e livros.

11.06.2013

13ª SESSÃO : SOPHIA (2)

Para ter acesso às fotografias da 13ª sessão das Leituras FLASH, acontecida no último dia 6 de novembro, no Jardim Botânico e dedicada a Sophia de Mello Breyner Andresen em parceria com o projeto do Daniel Ferreira, clique aqui


10.27.2013

13ª SESSÃO : SOPHIA


Leituras FLASH
em parceria com

Pelos 94 anos de Sophia de Mello Breyner Andresen: 

No próximo dia 6 de novembro, quarta-feira, juntamo-nos pelas 16h no Jardim Botânico do Porto para lê-la. Tragam amigos e livros.

2.19.2013

12ª SESSÃO : JOSÉ CRAVEIRINHA (2)

Para ter acesso às fotografias da 12ª sessão das Leituras FLASH, acontecida no último dia 18 de fevereiro, na Casa Agrícola e dedicada a José Craveirinha, clique aqui


2.12.2013

12ª SESSÃO FLASH : JOSÉ CRAVEIRINHA


No próximo dia 18 de fevereiro, segunda-feira, juntamo-nos pelas 15h na Casa Agrícola para ler José Craveirinha. Sejam bem-vindos, tragam amigos e livros.

12.20.2012

11ª SESSÃO FLASH : MANOEL DE BARROS (11)

Para ter acesso às fotografias da 11ª sessão das Leituras FLASH, acontecida no último dia 19 de dezembro, na Casinha Boutique Café e dedicada a Manoel de Barros, clique aqui.



12.14.2012

11ª SESSÃO FLASH : MANOEL DE BARROS (10)

BOLA SETE

Bola Sete não botava movimento
Era incansável em não sair do lugar.
Igual o caranguejo de Buson que foi encontrado
de manhã debaixo do mesmo céu de ontem.

Pra compensar tinha laia de poeta.
Dava qualidades de flor a uma rã.
Dava às pessoas qualidades de água.
Isso ele fazia com letras, não precisava se mover.
Onde estava era ele, a manhã e suas garças;
era ele, o acaso e suas cores; era ele, o riacho e suas margens; era ele, o horizonte e suas nuvens. Por aí.
Passarinhos brincavam nas paisagens de sua janela.
O mundo era perto.
Bastava estender as mãos que chegava no fim do
mundo.
Bola Sete não botava movimento.
Era um sujeito desverbado que nem uma oração
desverbada.

Manoel de Barros


11ª SESSÃO FLASH : MANOEL DE BARROS (9)

RUÍNA

Um monge descabelado me disse no caminho: "Eu queria construir uma ruína. Embora eu saiba que ruína é uma desconstrução. Minha ideia era de fazer alguma coisa ao jeito de tapera. Alguma que servisse para abrigar o abandono, como as taperas abrigam. Porque o abandono pode não ser apenas de um homem debaixo da ponte, mas pode ser também de um gato no beco ou de uma criança presa num cubículo. O abandono pode ser também de uma expressão que tenha entrado para o arcaico ou mesmo de uma palavra. Uma palavra que esteja sem ninguém dentro. (O olho do monge estava perto de ser um canto.) Continuou: digamos a palavra AMOR. A palavra amor está quase vazia. Não tem gente dentro dela. Queria construir uma ruína para a palavra amor. Talvez ela renascesse das ruínas, como o lírio pode nascer de um monturo". E o monge se calou descabelado.


Manoel de Barros

12.13.2012

11ª SESSÃO FLASH : MANOEL DE BARROS (8)

O artista é um erro da natureza. Beethoven foi um erro perfeito.

Manoel de Barros
in Livro sobre Nada [1996], in Poesia Completa, Lisboa, Caminho, 2010.


11ª SESSÃO FLASH : MANOEL DE BARROS (7)

AUTORRETRATO FALADO

Venho de um Cuiabá garimpo e de ruelas entortadas.
Meu pai teve uma venda de bananas no Beco da
Marinha, onde nasci.
Me criei no Pantanal de Corumbá, entre bichos do
chão, pessoas humildes, aves, árvores e rios.
Aprecio viver em lugares decadentes por gosto de
estar entre pedras e lagartas.
Fazer o desprezível ser prezado é coisa que me apraz.

Já publiquei 10 livros de poesia; ao publicá-los me
sinto como que desonrado e fujo para o
Pantanal onde sou abençoado a garças.
Me procurei a vida inteira e não me achei - pelo
que fui salvo.
Descobri que todos os caminhos levam à ignorância.
Não fui para a sarjeta porque herdei uma fazenda de
gado. Os bois me recriam.
Agora eu sou tão ocaso!
Estou na categoria de sofrer do moral, porque só
faço coisas inúteis.
No meu morrer tem uma dor de árvore.


Manoel de Barros

12.11.2012

11ª SESSÃO FLASH : MANOEL DE BARROS (6)

RAPHAEL

Quando Juvêncio apareceu
Mascava uma raiz de pobreza coisa que serve!
E cuspia dentro de casa o amargo em nós.

Na trouxa
Trouxe Raphael.

Raphael não era o pintor

Nem o anjo de Raphael.

Ponhamos que fosse um anjo
O anjo de sua mãe

Petrônia descia lavandeira
Pro corgo.
Juvêncio curava do gado bicheiras
Raphael era um pouquinho miserável
Tal como sua idade o permitia.

À noite vinha uma cobra diz-que
Botava o rabo na boca do anjo
E mamava no peito de Petrônia.

Juvêncio acariciava o ofídio
Pensando fossem os braços roliços da mulher.
Petrônia tinha estremecimentos doces
Bem bom.

Cenário de luar. Segundo ato.
Papagaio louro de bico dourado estava com fome
Desceu das folhas verdes
Ou verdes folhas conforme apreciais melhor
E começou a roer um naco
Um naco da testinha tenra
De Raphael.

Havia estrelas no céu
Suficientes para o poeta mais de romântico possível
E eu poderia colocar outras peças
Muitas, além de estrelas. Porém.
Sou um pobre narrador menso
Fosse isto uma Grécia de Péricles, não vê
Que deixava passar este canto
Sem de hexâmetros entrar!

Mandava vir cítaras e eólicas harpas
Convocava
Anjos de bundas redondas e troços do fundo do mar.
Porém.

Nem toco harpas.
Só uma viola quebrada
Surda como uma porta
Mais nada.

De resto
Juvêncio não é um herói
Raphael não tem mãe Clitemnestra
E nenhuma cidade disputará a glória de me haver
dado à luz.
Falo da vida de um menino do mato sem importância.
Isto não tem importância.


Manoel de Barros

11ª SESSÃO FLASH : MANOEL DE BARROS (5)

A NAMORADA

Havia um muro alto entre nossas casas.
Difícil de mandar recado para ela.
Não havia e-mail.
O pai era uma onça.
A gente amarrava o bilhete numa pedra presa por
um cordão
E pinchava a pedra no quintal da casa dela.
Se a namorada respondesse pela mesma pedra

Era uma glória!
Mas por vezes o bilhete enganchava nos galhos da goiabeira
E então era agonia.
No tempo do onça era assim.


Manoel de Barros

11ª SESSÃO FLASH : MANOEL DE BARROS (4)


de Pedro Cezar (2008)

11ª SESSÃO FLASH : MANOEL DE BARROS (3)

Quando a Vó me recebeu nas férias, ela me apresentou aos amigos: Este é meu neto. Ele foi estudar no Rio e voltou de ateu. Ela disse que eu voltei de ateu. Aquela preposição deslocada me fantasiava de ateu. Como quem dissesse no Carnaval: aquele menino está fantasiado de palhaço. Minha avó entendia de regências verbais. Ela falava de sério. Mas todo mundo riu. Porque aquela preposição deslocada podia fazer de uma informação um chiste. E fez. E mais: eu acho que buscar a beleza nas palavras é uma solenidade de amor. E pode ser instrumento de rir. De outra feita, no meio da pelada um menino gritou: Disilimina esse, Cabeludinho. Eu não disiliminei ninguém. Mas aquele verbo novo trouxe um perfume de poesia à nossa quadra. Aprendi nessas férias a brincar de palavras mais do que trabalhar com elas. Comecei a não gostar de palavra engavetada. Aquela que não pode mudar de lugar. Aprendi a gostar mais das palavras pelo que elas entoam do que pelo que elas informam. Por depois ouvi um vaqueiro a cantar com saudade: Ai morena, não me escreve/ que eu não sei a ler. Aquele preposto ao verbo ler, ao meu ouvir, ampliava a solidão do vaqueiro.

Manoel de Barros



SOBERANIA

Naquele dia, no meio do jantar, eu contei que
tentara pegar na bunda do vento — mas o rabo
do vento escorregava muito e eu não consegui
pegar. Eu teria sete anos. A mãe fez um sorriso
carinhoso para mim e não disse nada. Meus irmãos
deram gaitadas me gozando. O pai ficou preocupado
e disse que eu tivera um vareio da imaginação.
Mas que esses vareios acabariam com os estudos.

E me mandou estudar em livros. Eu vim. E logo li
alguns tomos havidos na biblioteca do Colégio.
E dei de estudar pra frente. Aprendi a teoria
das idéias e da razão pura. Especulei filósofos
e até cheguei aos eruditos. Aos homens de grande
saber. Achei que os eruditos nas suas altas
abstrações se esqueciam das coisas simples da
terra. Foi aí que encontrei Einstein (ele mesmo
— o Alberto Einstein). Que me ensinou esta frase:
A imaginação é mais importante do que o saber.
Fiquei alcandorado! E fiz uma brincadeira. Botei
um pouco de inocência na erudição. Deu certo. Meu
olho começou a ver de novo as pobres coisas do
chão mijadas de orvalho. E vi as borboletas. E
meditei sobre as borboletas. Vi que elas dominam
o mais leve sem precisar de ter motor nenhum no
corpo. (Essa engenharia de Deus!) E vi que elas
podem pousar nas flores e nas pedras sem magoar as
próprias asas. E vi que o homem não tem soberania
nem pra ser um bentevi.

Manoel de Barros

11ª SESSÃO FLASH : MANOEL DE BARROS (2)



No próximo dia 19 de dezembro, quarta-feira, juntamo-nos pelas 15h na Casinha Boutique Café (Avenida da Boavista, 854) para ler Manoel de Barros e comemorar o seu 96º aniversário. Sejam bem-vindos, tragam amigos e livros.

12.07.2012

11ª SESSÃO FLASH: MANOEL DE BARROS

Apontem na agenda: a 11º sessão FLASH está marcada para dia 19 de dezembro, 96º aniversário do poeta Manoel de Barros.

11.19.2012

10ª SESSÃO FLASH : MANUEL ANTÓNIO PINA (3)




CAFÉ DO MOLHE

Perguntavas-me
(ou talvez não tenhas sido
tu, mas só a ti

naquele tempo eu ouvia)

porquê a poesia,
e não outra coisa qualquer:
a filosofia, o futebol, alguma mulher?
Eu não sabia

que a resposta estava
numa certa estrofe de
um certo poema de
Frei Luis de Léon que Poe

(acho que era Poe)
conhecia de cor,
em castelhano e tudo.
Porém se o soubesse

de pouco me teria
então servido, ou de nada.
Porque estavas inclinada
de um modo tão perfeito

sobre a mesa
e o meu coração batia
tão infundadamente no teu peito
sob a tua blusa acesa

que tudo o que soubesse não o saberia.
Hoje sei: escrevo
contra aquilo de que me lembro,
essa tarde parada, por exemplo.


Manuel António Pina